Serge Humpich (1998)

O que aconteceu?

Em 1998, Serge Humpich conseguiu explorar fragilidades no sistema francês de cartões bancários com chip.

O sistema utilizava cartões que recorriam a mecanismos de autenticação estática (SDA). Humpich demonstrou que era possível construir cartões falsificados capazes de serem aceites em determinadas condições pelos terminais de pagamento.

O episódio tornou-se conhecido porque demonstrou que a presença de um chip não garantia, por si só, que o cartão fosse impossível de clonar ou falsificar.

Qual foi a vulnerabilidade técnica?

O problema estava relacionado com a utilização de RSA com uma chave pública de aproximadamente 320 bits, considerada demasiado pequena para resistir aos recursos de fatorização disponíveis na altura.

Humpich conseguiu recuperar a chave privada correspondente à chave pública utilizada na autenticação dos cartões.

Com essa chave privada, conseguiu produzir cartões falsificados que conseguiam passar determinadas verificações de autenticidade dos terminais.

O ponto essencial era:

  • O sistema utilizava autenticação estática.
  • A segurança dependia de uma chave RSA demasiado pequena.
  • Ao recuperar a chave privada, tornou-se possível falsificar os dados de autenticação.
  • Os terminais que aceitavam essas verificações podiam ser enganados.

O que aconteceu depois?

  • 1997: Humpich terá conseguido quebrar a proteção criptográfica, segundo a cronologia publicada sobre o caso.
  • Julho de 1998: demonstrou a vulnerabilidade ao GIE Cartes Bancaires, utilizando cartões falsificados para comprar bilhetes de metro.
  • 4 de agosto de 1998: o GIE apresentou uma queixa.
  • Setembro de 1998: Humpich foi detido.
  • 25 de fevereiro de 2000: foi condenado a dez meses de prisão com pena suspensa.
  • Dezembro de 2000: a condenação foi confirmada em recurso.

Qual foi o impacto na segurança dos cartões?

O caso evidenciou a importância de três aspetos:

Problema identificado Evolução da segurança
Chaves RSA demasiado pequenas Aumento dos tamanhos das chaves criptográficas.
Autenticação baseada em dados estáticos (SDA) Desenvolvimento e adoção de mecanismos dinâmicos, como DDA e CDA.
Confiança excessiva na autenticação local do cartão Maior importância da validação criptográfica e da autorização online.

O caso também contribuiu para chamar a atenção para o risco de utilizar algoritmos e parâmetros criptográficos que deixam de oferecer segurança suficiente com o passar do tempo.